Pandemia aumenta violência contra mulher. Saiba como denunciar

Pandemia aumenta violência contra mulher. A pandemia de Covid-19 mudou a rotina das pessoas ao redor do mundo. Com o isolamento social, trabalhos e aulas se tornaram remotos e compras passaram a ser feitas de forma online. Se muitas pessoas encontraram sobretudo na vida mais caseira uma forma de controlar melhor a rotina, alguns números têm preocupado autoridades nesse período.

Um levantamento do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos destacou que a pandemia do novo coronavírus provocou o aumento da violência doméstica contra as mulheres no Brasil. Segundo a pasta, foram 105.821 denúncias registradas em 2020. Além disso, as ocorrências registradas por delegacias virtuais também aumentaram.

O Ministério informou ainda que as denúncias de violência contra a mulher representaram cerca de 30% de todas as denúncias realizadas através do Disque 100 e do Ligue 180 no ano passado.

 

Pandemia deixa agressor e vítima na mesma casa

A maior parte desse tipo de agressão ocorre entre pessoas da mesma família, o que pode explicar o aumento de casos. Afinal, a pandemia obrigou pais, irmãos e companheiros a ficarem mais tempo sob o mesmo teto, aumentando a estatística.

De acordo com levantamento do Datafolha, encomendado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e divulgado no começo de junho, uma em cada quatro mulheres acima de 16 anos foi vítima de algum tipo de violência na pandemia no Brasil. Em números absolutos, foram cerca de 17 milhões de vítimas.

Apesar do número se manter estável em comparação ao ano anterior, cresceram as violências sofridas dentro de casa e a participação de companheiros e ex-namorados. Além disso, o não crescimento dos registros pode indicar uma subnotificação também justificada pelo isolamento social na companhia de seus agressores. No começo da pandemia o Fórum já havia divulgado um aumento nos casos de feminicídio no país.

 

Rio acompanha tendência nacional

Pandemia aumenta violência contra mulher. No estado do Rio, mais de 250 mulheres foram vítimas de violência por dia durante o isolamento social em 2020 e cerca de 61% dos casos aconteceram dentro de casa. Assim como o levantamento do Datafolha, o estudo do Instituto de Segurança Pública (ISP) não apresentou aumento nos números de denúncias se comparado aos dados de 2019. Do mesmo modo, foi observado que essa diminuição nos registros parece estar mais ligada à subnotificação do que a uma queda das violências praticadas.

No período, houve alta do percentual de ocorrências de crimes mais graves dentro de casa, como violência física e violência sexual. Em mais da metade dos casos, os autores foram parceiros e ex-parceiros das vítimas.

Segundo o ISP, 65 mulheres foram vítimas de feminicídio entre 13 de março e 31 de dezembro de 2020 no Rio.

 

O que fazer em caso de violência?

É comum que vítimas de violência doméstica tenham medo de denunciar seus agressores. Seja por receio de que o registro torne as ações mais violentas, seja pela proximidade com o agressor, as estatísticas apontam que a maioria das mulheres se cala ao sofrer uma agressão.

Uma pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública de 2019, último ano antes da pandemia, destacou que em 70% dos feminicídios a vítima não havia denunciado agressões anteriores. Nesse sentido, o resultado ressalta a importância de procurar órgãos e organizações para mulheres em casos de violência.

Durante a pandemia, o governo federal aumentou os canais que podem ser utilizados pelas vítimas. Além do 180 e do Disque 100, que já existiam, o ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos passou a oferecer contato por Whatsapp e um aplicativo próprio, o “Direitos Humanos Brasil”. As denúncias podem ser anônimas.

Além disso, na semana passada, o governo anunciou que conteúdos relativos à violência contra mulher farão parte dos currículos da Educação Básica. A nova lei institui ainda a Semana Escolar de Combate à Violência contra a Mulher em escolas públicas e privadas.

Por outro lado, o “Justiceiras” é um dos projetos pró-mulher criado como canal alternativo para combater e prevenir a violência contra mulheres durante a pandemia. O programa reúne voluntárias nas áreas do Direito, Psicologia e Assistência Social para orientar mulheres em situação de violência doméstica.